Haja fé

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Eu próprio fiquei chocado com o comportamento daquela miúda de 15 anos que vem no Youtube. Mas haja esperança, porque a juventude depois cresce e pode ganhar juízo. Veja-se o belo exemplo daquele rapaz que aos 16 era da Juventude Hitleriana e hoje até é director de uma grande empresa…

Rimance (à moda dos recolhidos por Herculano e Garrett)

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– Socorro, diz a donzela,

do alto dos altos muros

(E eu, em santo alvoroço:

Meu Deus, meu Deus, que ouço?

Uma donzela em apuros?)

– Ó pobre triste de mim,

sou tão, tão infeliz

(Diz a pobre chorando,

é a própria quem o diz)

– O dragão do verde tédio

fechou-me nesta alta torre

Quando não está a voar,

cospe fogo e ri-se e troça

E eu estou para aqui sozinha

Nem o pai nunca mais morre

nem o meu salvador vem.

 

Entrementes eu suspiro,

sem saber o que fazer

Até que ela se enfada,

e acaba por dizer:

– Cavaleiro, meu cavaleiro,

porque não me salvas tu

no teu belo cavalo branco?

E eu, cabisbaixo, impedido

respondo bem baixo e sofrido: 

– Senhora, o cavaleiro está manco

E o cavalo de pau partido.

Deus me perdoe mas às vezes uma pessoa acorda com saudades de si própria e é uma chatice porque não se encontra e depois dá em ir ao álbum de recordações chorar uma lágrima de nostalgia por um corpo (e um espírito) que hélàs já não é snif o seu bolas apre que chatice ai as minhas costas e ah o bebé sim é o Tiago que agora já tem idade para ter juízo

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1985.jpg

(1985:Felizes da Fé no Chiado)

Respostas fáceis para questões difíceis

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Hoje, a Guerra

“Mamãe, porque é que há guerras?”

“Porque é preciso continuar a lutar pela paz, meu filho. É preciso lutar pela paz.”

Gente que não pede desculpa

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Augusto Santos Silva, 52 anos, que já tive o prazer de conhecer, foi ontem muito infeliz em algumas afirmações à entrada de uma reunião de dirigentes do PS. John McCain, 71 anos, que não tenho o prazer de conhecer, é um simpático candidato de direita à presidência americana – e, talvez, o próximo “homem mais poderoso da Terra”.

Há tempos a CNN apanhou McCain a dizer uma boçalidade. E ele, perante as câmaras, reconheceu com desarmante candura que metera água. Augusto Santos Silva teve hoje a oportunidade de fazer o mesmo: admitir que se excedeu, não era bem aquilo que queria dizer, etc. Até podia ter saído por cima: pedido desculpa e dito que por momentos as duas centenas de manifestantes lhe tinham provocado “stress de guerra” e ele esquecera que: a) estamos em 2008, b) o PS é governo. Ninguém lhe levaria a mal e ainda marcava pontos. Não o fez: optou por aquilo que já começa a ser vício: a fuga para a frente. Tivera razão antes e, agora, limitava-se a explicar aos infiéis a razão que tinha. Deu-me pena. A ministra da educação fez o mesmo: que ela demitir-se seria a solução fácil e que ela gosta de soluções difíceis e que o importante é trabalhar. Como se “trabalhar”, só por si, quisesse dizer alguma coisa!

Com pessoas assim é mesmo difícil conversar.

PS) Já agora, é certo que os manifestantes foram um bocadinho tontos ao gritar “fascistas” (prova de que não são as palavras que ofendem , mas sim o modo como o ofendido reage a elas, pois se fosse “filhos da puta” ASS já não se zangaria talvez tanto). Mas atribuir um sentido neutro - positivo por si  só - a palavras mágicas como “trabalhar”, “tomar decisões”, “fazer reformas”, etc., é de facto uma marca dos fascismos. Os traficantes de morte também fazem o seu “trabalho”, os ditadores de Myanmar também fizeram “reformas”, nem todas as “decisões” são boas só porque são “decisões”.

Portugal e o futuro II

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Hoje: A Finlândia segundo Pierre Menard

Muito se tem falado de como Portugal deve seguir, para ter sucesso, o modelo finlandês. Mas como chegar lá? Ao contrário do que os useiros Velhos do Restelo julgam, até nem é assim tão difícil. Para tal basta:

1) deslocar o nosso país 4182 km para norte,

2) recuar no tempo e obter a independência só em 1917,

3) reduzir a população para metade (já há vacinas capazes disso),

4) afundar parte do território a fim de criar mil pequenos lagos (Loures em Fevereiro já deu o exemplo),

5) ampliar o nosso magro território de 92 mil Km2 para 337 mil (recuperar as colónias é batota),

6) esquecer Camões e aprender uma língua que mais ninguém fala, apenas vagamente aparentada com o húngaro e/ou o basco,

7) acabar com a produção de vinho,

(8) aumentar a de vodka,

9) passar a ter sol apenas dois meses por ano,

10) esquecer a nossa milenar arte de beber, passando a cair no meio da rua sem pudor (mulheres e crianças primeiro)

11) e, last but not least, deprimir a população.

(Este último item já está a ser conseguido, prova de que estamos no bom caminho.)

Portugal e o futuro

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O INE (Instituto Nacional de Estatística) lançou esta semana a notícia alarmista de que os portugueses estariam a ter menos filhos. Felizmente, nada poderia ser mais falso. Qualquer família que em 2005 tivesse  dois filhos tem agora 2, 4 filhos. E tudo aponta para que, dentro de alguns anos, esse número aumente para 2, 6.

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