Na ressaca dos Óscares
Novidades 27 comentários »Falemos antes das eleições americanas, está bem?
Há quem ache rebelde eleger um “negro”. Infelizmente o que acontece é que preferem o negro à loura. Ou seja: o machismo é mais forte que o racismo. Fosse Hillary um homem e seria fácil de ver, pelo seu currículo, que é a melhor candidata: experiente, inteligente, pragmática. Brilhante. Combativa. Atomatada. E, sim, esposa, do melhor – ou menos mau, se preferirem – Presidente norte-americano dos últimos quarenta anos. Bill Clinton foi bom para os EUA e para o mundo, à excepção (sim, também a mim custa a engolir) da Sérvia. Mas toda a gente bateu na Sérvia, portanto volta Bill, estás semi-perdoado. Foi o Presidente que deu a mão a Timor – muito diferente do Kosovo, porque este não fora invadido trinta anos antes. Clinton-gajo foi bom para a economia americana e mundial, bom para a sociedade, bom para as minorias cívicas, bom para as aberturas de espírito.
Clinton-gaja não precisa de mais provas de que pensa – e age, desde há quarenta anos – pela própria cabeça. E, sim, seria bom ter o marido por conselheiro. Atrás de uma grande mulher estaria, enfim, um homem. Infelizmente anda tudo encantado com um tipo – que até pode ser porreiro – cujos únicos atributos conhecidos são: a) ter boa pinta, b) ser gajo, c) ter um grande e vácuo slogan: “Yes we can”.
Um slogan tão bom que José Sócrates há dias o copiou – ou alguém por ele – provando que, de facto, foi mesmo estudante: “Sim, nozes podemos”. Enfim, sempre é uma variante da força tranquila guterriano-mitterrandiana…
Obama não prova que os democratas americanos finalmente evoluíram. Prova apenas que descobriram, com dez anos de atraso, o charme de um Tony Blair bronzeado como quem passou umas férias em Albufeira. Não digo isto com alegria, mas o mundo dormiria melhor se, amanhã, descobríssemos que tinha sido Obama a raptar a Maddie.
Infelizmente, no such luck. Les Oscars sont faits – e nós também.
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