Ó pai vou fazer cocó e
quando acabar de fazer cocó
quero uma nintendo
Eu vou levar muito tempo a fazer cocó, por isso tens tempo
de me comprar uma nintendo
Vou fazer cocó e quando acabar quero ver
uma nintendo à minha frente
Entrementes nós vemos
o homem-aranha cometendo
actos heróicos
na janela do nosso quarto interior
Vou fazer cocó só uma criança poderia
dar esta natureza de informação
e ser tão querida ao fazê-lo
E quando acabar quero uma nintendo
Há raparigas
mais crescidas
que também são muito queridas quando
no restaurante
notificam parceiro de refeição
e restante povo
Vou fazer xixi
volto já
mas nem sempre voltam
Quem sabe que segredos se escondem
numa casa de banho
O Sombra sabe
Nunca dizem cocó, ao menos isso
Nem querem, tanto quanto sei
uma nintendo
Há também rapazes
já homens
que dizem
Vou cagar
E esses também não querem uma nintendo
Quando muito querem
uma coisa mais modesta
Conquistar o mundo
Destruir o mundo
ou, pior
Emoldurar o mundo
Entrementes o nosso herói diz
Já acabei
mas nós não ligamos
estamos a escrever o poema
Estamos a tratar do irs
Estamos a ver
na única janela do nosso quarto
o homem-aranha lutar contra o dr. octopus
o bem a vencer o mal
Mas ele insiste, persiste, ele é
já em embrião
um homem
que consiste
daqueles que podem ser administradores
ou coisa pior
Já acaaaabeeeei
E nós lá vamos, cantando e rindo, pressurosos
fatigados mas pressurosos
cumprir a função de pais
Ele é que não desiste e
enquanto nós desenrolamos o papel
repete, baixinho mas clarinho
Ó pai quero uma nintendo
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