25 é quando uma pessoa quiser

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N’O Senhor dos Anéis, Tolkien escreveu: “Até mesmo a mais pequena pessoa pode fazer a diferença”. Deixo o original porque as traduções são sempre o que são: “Even the smallest person can make a difference.” Em português, entre outras coisas, troquei “uma” por “a” pois, embora incorrecto, acho que soa melhor. O engraçado nestes aforismos é que, para além de não importar se são verdadeiros ou falsos (nunca o são, apenas ajudam a pensar), podem por vezes ser virados ao contrário e resultar também luminosos. É um truque fácil, barato e, se não dá milhões, pelo menos podemos fazer em casa sem risco de nos magoarmos. A ver, com este: “Até a mais pequena diferença pode fazer uma pessoa.”

Hum?

(Ah, já agora. Boas Festas para os inquilinos deste albergue — não, nada receais, inda não vos vou cobrar renda. O que não obsta a que não comece já a pensar numa forma de, lá para 2008, vos pôr a render. Saravá!)

Modesto contributo para o debate sobre o acordo ortográfico

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            Havia um café frente a sua casa, em Lisboa, onde, desde há uns anos, comia uma iguaria que se habituou a apreciar desde que passara férias no nordeste brasileiro: o pão de queijo.

Ter uma brasileira na cozinha do café defronte da nossa casa tinha estas vantagens. O problema é que ela, embora ganhasse pouco, não viera sozinha.

No outro dia, um sábado, ia ele todo lampeiro disposto a comprar (e comer) o seu pão de queijo quando a empregada lhe sorri e diz: - Lamento, vizinho, aqueles senhores ali pediram os últimos. Hoje não há mais.

Olhou para a mesa onde alguns pães de queijo ainda repousavam, mas já prometidos a outras papilas. Os comensais estavam contentes e falavam alto:

            - Ô, Donivaldo – dizia um para o outro. – Cê vem hoje na festinha da Valdomira? Vai haver chopp pra caramba!

Foi toda uma indignação que se apoderou dele. Já não lhes bastava terem o Carnaval no Verão (enquanto as nossas pobres moças tiritavam resfriadas no desfile de Torres Vedras), ainda tinham de vir para aqui, para a nossa terra, comer o nosso pão de queijo?!?

Sexo 1.0

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- O sexo é-me indiferente, disse ele.

- Ah sim, disse ela.

- Sim, disse ele. - Mamíferos, aves, peixes, bivalves, répteis, invertebrados, marcha tudo.

Miserere

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Ele não queria fechar

os olhos à realidade

mas alguém tinha de o fazer.

 

(E verdade seja dita, coitada

ela também já estava

como havia de ir.)

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