Ciao, Eduardo

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A morte é sempre triste

mesmo quando nos leva

os inimigos

A morte é sempre triste

sobretudo quando nos leva

os inimigos

Mantém os teus amigos perto

dizia o Al Pacino

mas os teus inimigos

ainda mais perto

acrescentava

o Al Pacino

Merda, a distância

entre uma coisa e outra

está cada vez mais curta

cada e cada dia mais

curta

Nova teoria sobre a extinção dos dinossauros

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Poema da Internet

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Eu disse uma asneira

E fiquei de castigo

Sem Internet

 

A mãe disse-me para

Pedir desculpa

E eu disse que não

 

Mas depois mudei de ideias

Devo talvez dizer que

Eu queria mesmo muito

Ir à Internet

 

E prontos lá pedi

Desculpa

 

A mãe aceitou

As minhas desculpas

Mas não me deixou

Inda assim

Ir à Internet

 

E eu fiquei muito confuso

 

Então eu pedi desculpa e

Mesmo assim

Fico de castigo?

 

A mãe disse que sim

Por hoje

Pedi desculpa prontos

Amanhã já posso

Ir à Internet

 

Eu protestei

É injusto

Ó mãe eu pedi desculpa

Eu não sabia que

Pedir desculpa

Não me tirava do castigo

 

Deixa lá eu ir hoje

Ir à Internet

 

A mãe disse que não

Disse estava dito

Por hoje meditas

No assunto

E amanhã se te portares

Se me portasse bem talvez

 

Fiquei em silêncio

Um silêncio rabugento

Zangado

Um silêncio não-é-justo

Até que tive uma ideia

Uma ideia luminosa

Como tantas que viria a ter

Muitos anos volvidos

Quando os maus comportamentos

Fossem ultrapassados

e os pequenos vícios

aperfeiçoados

 

Ó pai não posso ir à Internet?

A vida é tudo jóia, né?

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Dilemas da modernidade

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Mundo tramado. Já muitos homens se queixam. E mulheres católicas também. Mesmo que não queira ser pai, um homem é obrigado a assistir, impotente (é apenas uma forma de dizer), à gravidez levada a termo pela mulher, que decide sozinha ter a criança, para depois vir pedir batatinhas (pensão de alimentos, reconhecimento legal, etc.) ao desgraçado.

Mas quando uma mulher quer interromper a gravidez (vulgo abortar) enquanto o homem desejava ter a criança, nada feito, ela decide sozinha e – se já antes o fazia às escondidas, agora tornou-se legal – acaba mesmo por não ter a criança, frustrando as esperanças e tal do (ex-, contrariado ex-) futuro pai.

Não é justo, reconheço. Nada justo, até. Mas nem sempre o que é razoável é justo. A questão não é saber se é justo ou não. É saber se as alternativas seriam mais justas. Se sim, mudamos. Por exemplo: o homem passar a não se responsabilizar por uma criança que nasce só por vontade da mulher? Era bom, não era? Ou o homem decidir que a mulher levasse avante a gravidez (avante, avante, camaradas), mesmo contra a vontade dela? Porque não? Se isso for, além de mais razoável, mais justo, quem sou eu para discordar?

Ora bem, adonde está a justiça? Como deixou Deus que Eva, saída da coxa, passasse a perna a Adão? Eu quase diria “valha-nos Deus”, mas Ele (Ela?) parece não estar para aí virado/a.

A natureza não é justa, mas é harmoniosa. Ao contrário de Deus, deu poder aos homens, deu poder às mulheres. Talvez demasiado poder – e competências, e talentos – às mulheres. É uma questão a ver, e a vistoriar no futuro próximo. Não queremos que as melhores alunas, os melhores gestores, os melhores políticos, os melhores secretários sejam todos mulheres, pois não?

Durante séculos, boa parte das sociedades humanas encontrou uma forma de calibrar a injustiça de Deus, retirando poder político (deixemo-nos de tretas, oprimindo mesmo) as suas aparentes desfavoritas. Digo aparentes porque as mulheres costumam ser mais associadas à natureza (e ao diabo) do que a Deus. Quererá isto dizer que Deus se reconhece mais na sociedade do que na natureza? Boa questão – quem a apanhar que responda.

De momento fica apenas a seguinte: o que fazer? Re-oprimir as mulheres, para que a velha ordem social se restabeleça (talvez até com umas bruxas e putas e santas atiradas para a fogueira, juro que não sou eu que me vou opor) ou ver como poisam as coisas (com risco de depois ser tarde demais para dar meia volta)?

Quem for sábio/a que responda. E atire o/a primeiro/a Pedra/o.

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