A minha vida dava uma fila indiana

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9h30: gravar um poema do Pessoa, o meu favorito: “Dobrada à moda do Porto” (grátis, cultura oblige).

11h: Presidir a uma defesa de mestrado (incumbência profissional).

13h: Descobrir que uma peça que fiz vai ser representada (Lisboa, 13 de Junho, 22h, largo de S. Carlos) já não vai ser paga porque “não há dinheiro” para esse luxo chamado autor.

15h: Apresentar o Santiago Roncagliolo, um belo escritor peruano (incumbência profissional e prazer). >17h: Chegar atrasado ao funeral da minha tia Lurdes. (87 anos bem vividos.)

19h: Provar pela primeira vez a Sagres Rubi. (Bof, prefiro vinho.)

20h: preparar a arguição de amanhã (incumbência profissional).

21h: Preparar a conferência de sexta: “Como desaprender o português?” (Incumbência profissional, mas o prazer de chatear.)

22h: Ler trabalhos (incumbência profissional).

23h: preparar conferência sobre multiculturalismo (paga, Deus é grande).

24h: emendar conferência sobre Bellow (paga, Deus é mesmo muita bom.)

Dois Filhos

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Todos nós conhecemos a história. Jesus. Poucos acreditaram que Ele era o Rei dos Judeus, que era o Filho de Deus, que a Sua Mãe era Virgem e fora visitada por um Anjo, que Ele era capaz de Milagres. Se Jesus voltasse hoje à terra quem acreditaria n’Ele? (E se um colega nosso de carteira disser que é Jesus, quem acreditará nas Suas palavras?)

Sim, todos conhecemos a história. Há uma variante menos religiosa que, parecendo o oposto, é na verdade quase idêntica à do Jesus desconhecido retornado entre nós. Aliás, desde os anos 50 que muitos filmes de ficção científica giram à volta desta versão.

Um homem aponta uma pistola a um adolescente. É desarmado por dois polícias que chegam mesmo a tempo de o impedir de acertar. Ele grita que aquele adolescente não é tão inocente como parece, porque embora nem ele próprio saiba, se continuar vivo um dia, num futuro distante, vai causar dor e sofrimento ao mundo, e a morte de milhões.

Quem acreditaria num homem que apontasse uma arma a um adolescente e fornecesse tal prognóstico como justificação para tal acto?

Entretanto, os polícias levam o homem preso. Um vendedor que assistira à cena aproxima-se do jovem, põe-lhe a mão no ombro, e diz:

- Escapaste de boa, filho. Alguém lá em cima gosta de ti. Como te chamas?

O rapaz sacode a melena preta dos olhos e responde, ainda com um tremor na voz:

- A-Adolf Hitler, senhor.

E porque não também somítico e gordalhufo?

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“(…) uma figura anónima e sinistra como parece ser o israelita Avram Grant.” Bruno Prata, Público, 2/5/08

Sermões de Pai Vieira aos mais novos, I

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Meus filhos, um casamento é uma coisa linda, desde que para os bens não-essenciais – sexo, amizade, apoio psicológico etc. – uma pessoa tenha clara noção de que sai mais barato recorrer ao outsourcing.

Perguntas às quais é assaz difícil responder

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Se Deus existe, porque é que o aumento das taxas de juro e a quebra do subprime no mercado imobiliário norte-americano não se reflectem de forma visível no mercado português?

Dilema de Abril

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Mas, afinal de contas, o que é pior: ser idiota útil ou idiota inútil?

O milagre do incentivo à leitura

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Houve um tempo em que seis milhões de portugueses se levantavam ao domingo e só pensavam em futebol. Hoje estão lentamente, com alguma dor (os inícios custam sempre) a descobrir o prazer da leitura. Quem disse que já não havia Luz?

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