Manual para chocar Portugueses Felizes
Novidades 3 comentários »Não posso concordar com “conclusões” de quaisquer “estudos“, porque elas/eles são sempre (se o assunto for complexo) a sorte e a aproximação. Obviamente pode-se argumentar que, no caso dessa entidade chamada “Portugueses”, o estudo nem terá enfrentado demasiadas complexidades. Mas nunca fiando, até porque o objecto de estudo já deu provas, ao longo de quase mil anos, de ser multiforme, versátil, adaptável e, ocasionalmente, imprevisível. Pessoalmente, gosto de Portugueses, fritos, assados, no forno, na cidade, no campo ou na praia. E estão a ficar mais urbanos, catitas. Sempre achei que nós Portugueses éramos os únicos Verdadeiros Europeus, porque éramos os únicos que, genuinamente, nos queríamos diluir na Europa. E diluir no sentido de anular mesmo. E continuamos a ser o único povo que, genuinamente, se odeia a si próprio enquanto colectivo nacional, mas se adora enquanto pequena colectividade. No fundo somos uma feliz sociedade recreativa, um país com pés de bairro, e a verdade é que nenhum de nós, nem mesmo o mais caturra, resiste a um alegre arraial. Isto podia ser terrível, mas é talvez a chave do nosso génio. Somos o povo-camaleão , o povo-macaco de imitação, o povo-Zelig , o país que quer ser, do primeiro-ministro ao arrumador, “como se é lá fora”. E isso não tem mal nenhum, antes pelo contrário, é o nosso encanto. E a chave para a nossa identidade. “Gostava de ser outro”, disse Pessoa. Ora aqui está uma boa definição para Portugal, acho: “O país que gostava de ser outro”.
E, quem sabe?, talvez um dia. Tantas vezes o cântaro vai à fonte que…
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